Que dureza...  escrito em quinta 23 dezembro 2010 07:26

Meus eternos e internos advogados de defesa que incessantemente recorrem a todo tipo de movimento na intenção de me absolver de quaisquer falhas, atrasos, desleixos e afins desta vez entraram em férias coletivas e me deram um ultimato: ESCREVA!

É Natal, vem aí um ano novo (sim...mais um!!!) cheio de expectativas pra todos nós. E nada mais agradável numa virada de ano, época em que a gente balança a vida pensando no que fez e no que desfez, do que conseguir enxergar mesmo que no outro a possibilidade mágica do limite transposto.

Vem aí 2011 cheio de desafios, dificuldades e limites. Alguns colocados a nossa frente por nós mesmos a fim de não reconhecermos nossos próprios êxitos. Achei justo e coerente compartilhar com quem ainda não teve esta oportunidade, esse vídeo: orquestra sinfônica de Berlim executando Tico-tico no Fubá.

Qual a relação?? pois me constava, e não há nada de pejorativo nisso, alemães duros, sem swing e sem molejo pra brincar de samba. Algo assim como nós fazemos de mãos amarradas já há alguns anos, com perdão do trocadilho.

Limites superados, e cá está uma obra prima da música brasileira executada divinamente, seja pelos acordes, arpejos e linhas melódicas, mas muito mais pela graça, pelos sorrisos, pela magnífica performance.

Assim quero meu 2011 (e o seu também!!!), se cheio de limites, desafios e dificuldades,  que possamos brincar de transpô-las uma a uma e olhar pra trás e enxergá-las não mais como dificuldades, mas como lição.

Um ótimo 2011 para todos nós!!!

Jorge Vieira

 

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SEU SAMBA  escrito em segunda 22 março 2010 13:14

Blog de samba2por4 :SAMBA2POR4, SEU SAMBA

Dedicar meu tempo, energia, talento e habilidades ao samba tem sido uma constante em minha vida nos últimos 3 anos, seja com o 2por4, Regional Laranjal ou até mesmo em minhas singelas incursões pelo mundo dos poetas e produtores...

ainda no finalzinho de 2009 "inventei" de formar um trio que tem se concentrado em  tocar em butecos como Dona Neusa ou em eventos, acompanhado de Karine Alves nos vocais e Rogério Bolacha no violão (às vezes Duda Gasparoni).

Pois abro 2010 com mais uma incursão: desta vez pelo mundo dos Botequeiros, do lado de dentro do balcão.

Ofereço a vocês a partir de 23/04 o "SEU SAMBA" , um bar que deverá se tornar rapidamente o QG do 2por4, do Laranjal, do Trio, e de todos os amigos sambistas.

Um lugar aconchegante, localizado na esquina da travessa Venezianos com a Joaquim Nabuco, no número 383 da Joaquim, um endereço que remete ao passado do samba de Porto Alegre.

Lá, iremos reunir a nata do samba da cidade, os melhores músicos e apreciadores do samba e de suas vertentes diariamente de terças a sábados sempre a partir das 19hs, com música ao vivo das 20:30 às 24hs.

Um cardápio pesquisado entre as melhores referências de casas de samba e butecos do país, que será incrementado sob  orientação de seus próprios frequentadores, através de sugestões.

Músicos de primeiríssima qualidade comporão o palco da casa numa agenda surpreendente, composta de chorinhos, serestas, bossa nova, samba de roda, samba de mesa, partido alto, samba de raiz, entre outros...

SEU SAMBA

RUA JOAQUIM NABUCO, 383 - CIDADE BAIXA

PORTO ALEGRE-RS

CONTATO - 9985-2600

                                                                     JORGE VIEIRA - MÚSICO

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Lalaiá, lalaiá, laiá...  escrito em segunda 30 novembro 2009 20:53

Quase nem lembro dos primeiros contatos que tive com o samba, certamente nos carnavais de Pelotas, mas não lembro exatamente de que forma. Lembro já de ser um atrevido moleque que ao rufar dos tambores de alguma bateria de escola de samba ou bloco burlesco da cidade, me preparava pra localizar, ou melhor, ser localizado por meu tio Kiko, que vinha de que posição estivesse na bateria, em minha direção já estendendo as duas baquetas de seu tarol nas minhas pequenas mãos que ensaiavam ali os primeiros toques percussivos, provavelmente com certa destreza, pois meu tio não comprometeria ali, na frente da Tuiuty, uma rufada de tarol...mas isso é assunto pra outra história!

Hoje venho a vocês tecer um pequeno comentário que desde um pouco depois dessa época me perturba. E já se passam quase 40 anos.

QUAL O MOTIVO DO LALAIÁ ?

Em que situação o compositor decide que ali, naquele compasso da música, ali naquele momento de frisson entra um lalaiá, lalaiá, lalaiá, laiaaaa ?  De que forma esse lalaiá aparece? E porque?

Faltou o que dizer? Não confia nos futuros intérpretes e lhes dá ali uma folga na memória, um relaxamento, um agora é com vocês?

E a perturbação se enfia mais adentro nessa observação quando ouço canções com letras entristecidas, mágoas de amor, abandonos, traições, críticas sociais, políticas, que se encerram com um apoteótico lalaiá, lalaiá.

Ouçam...

"...ou lá na favela a vida muda, ou todos os nomes vão mudar, lá, lá ,laiá, laiá, lá, lá laiá..."

"...jurar com lágrimas que me ama não adianta nada, eu não vou acreditar

é melhor nos separar, laiá, laiá, laialaiá, laiá..."

"...você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão, lalaiá, lalaiá...

lá, laiá laiá, laiá laiá, laiá laiá eu vou festejar o teu sofrer, o teu penar..."

"...lá lalaiá lalaiá, la lalaiá lalaiá, laiá, laiá laiá

O corpo a morte leva, a voz some na brisa, a dor sobe pras trevas..."

Uma pequena observação, uma pequena brincadeira que faço com estas pérolas...

eu menino, nunca conseguiria entender porque tanto lalaiá.

                                                                                                                                              Jorge Vieira

 

 

 

 

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...não tive tempo...  escrito em quinta 05 novembro 2009 14:07

Escrever aqui um artigo, pode se dizer, é das coisas mais simples. Já o fiz algumas vezes, já não tive assunto, e mesmo assim o fiz, mas a explicação melhor de minha ausência este período passa pela não rara frase "não tive tempo", uma espécie de síndrome dos tempos atuais.

Me ponho então a pensar sobre estes dias de hoje, ou melhor, sobre os de ontem:

Devia ser muito complicado, falo devia pois minha memória já não consegue me transportar com 100% de fidelidade aos dias da década de 60 e 70 quando era eu um guri e tinha mais poder de observação para as filas indianas de formigas que se formavam no pátio da casa dos meus pais do que exatamente para a tal linha do tempo, perder-se tanto tempo ao acordar e permanecer um pouco mais na cama recebendo os carinhos da mamãe ou do cão da casa. Era lento meu dia, isso eu lembro: tomava vagarosamente meu nescau (confesso que sempre preferi Toddy) pra poder juntar minhas coisinhas no pátio da casa e remontar a bateria de panelas (meu primeiro instrumento musical) que minha mãe inexplicavelmente desmontava diariamente e recolhia as que mais me agradavam o timbre. Ali eu perdia muito tempo, quase o resto da manhã. Só me permitia interromper com gosto se fosse pra ir até o Bar Brotinho ou Zabaleta buscar algo que faltaria pra preencher naquele dia um de meus instrumentos que obviamente minha mãe também usava pra cozinhar. Contava as tijoletas no caminho e se me perdesse no cálculo, voltava de onde tinha dado problema; perdia muito tempo...

Perdeu-se muito tempo aliás naqueles dias de ontem, no interior, onde o mundo gira mais devagar, indo até a casa dos amigos um a um convidá-los para o futebol do fim de tarde na esquina da garagem Paisandu, montando estruturas para os grandes eventos da infância, indo aqui e ali angariar fundos e materiais para as corridas de carrinho de rolemã, caminhando até o campo de futebol que ficava lá perto da delegacia, ou memso alem de lá quando a intenção era apenas empinar (nunca fui bom nisso) pandorgas na beira dos trilhos. Perdia-se muito tempo pedalando a monareta até o Laranjal nos dias de calor insuportável (sim, eles já existiam !!). Perdia-se tempo até escrevendo cartinhas para as meninas, ou pior, respondendo pergunta por pergunta daqueles cadernos que as meninas elaboravam. Ensaiávamos possíveis peças teatrais que apresentaríamos a nós mesmos a noite, um pouco antes ou bem depois que o caminhão do flit passasse. Perdíamos tempo nós, e perdiam também nossos pais cozinhando, lavando e passando roupas, escrevendo, conversando, reunindo-se em família, caminhando até a casa do vizinho, sentando na calçada, passeando no centro, lendo...

Ainda bem que os dias de hoje são bem diferentes, nos permitiram colocar máquinas a fazerem coisas que antes fazíamos e faziam nossos pais sozinhos e uma a uma, louças, roupas, histórias, vizinhos, amigos, compras, parentes, trabalho, passeio, tudo acontece ao mesmo tempo e se possível até mesmo sem nossa intervenção.

Isso deu a nós todos uma economia no tempo que perdíamos lá nos dias de ontem. Tudo ficou muito mais prático e rápido e confortável. Só não entendi ainda o que fiz com todo esse tempo que ganhei?!?!?!

A propósito do tempo, o 2por4 continua tocando alternadamente aos sábados no Boteco Dona Neusa, às sextas-feiras no Armazém do Samba, antigo Oficina Etílica, e em alguns eventos, dentre eles destaco as comemorações dos 140 anos do Mercado Público, uma semana de shows lá mesmo no segundo andar do Mercado e para a qual nossa banda se orgulhou de ter sido convidada.

Imagens no youtube!!!

 

Jorge Vieira

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CONVITE  escrito em quinta 27 agosto 2009 17:59

Blog de samba2por4 :SAMBA2POR4, CONVITE
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